
Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008
Um rabisco sem revisões
O sentimento da ausência tem muitas faces. As que eu experimentei, não passam da quantidades de dedos de uma mão só. De todas, tem duas que me intrigam deveras. Uma é mais serena: a ausência de Drummond. É a ausência que não é falta. A ausência que é branca, tão leve que parece se aconchegar nos braços e tem lá suas exclamações alegres. Talvez seja parecida até com a ausência de Arnaldo Antunes, não fosse o seu pedido incessante de socorro em prol de qualquer coisa que se sinta...
Mas hoje, especialmente, segunda-feira de carnaval, é outra que faz a festa por aqui. E essa dilacera meu corpo inteiro e eu não gosto nenhum pouco. Enquanto tudo é diversão fora da janela, ela despeja doses lentas de solidão, quando se tem a pior das solidões: a não opcional.
Estar longe das mãos protetoras que envolvem o seu quarto em calor de mãe, e não fazer parte de coisa alguma, te joga numa redoma escura onde ninguém é por você. É só você e nenhum lugar onde aquecer as mãos - para não esquecer do blues melancólico de Simona Talma. Sem qualquer criatura para te procurar, se você, sem querer, se perder... Uma ausência insistente, inquieta, onde a única coisa que se busca é uma preciosa dose cavalar de fuga... de onde você estiver.
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