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Segunda-feira, Abril 30, 2007


Onde eu estava com a cabeça quando pude esquecer de mim? Onde o meu bom senso foi parar quando eu só via você na minha frente e o resto era uma enorme parede branca? Embrulhei, com caixas de papelão, todas as minhas delicias que não podia compartilhar contigo e as empilhei naquele quartinho esquecido dos fundos. Não importava mais eu mesma, esse ser encharcado de defeitos intragáveis. Meus livros, meus ideais, meu sangue pulsando mudanças e lutas, minhas preferidas músicas de Chico e até mesmo minhas circulações solitárias em noite de rock na Ribeira. Demasiada vazia fiquei eu e passei a ficar mal humorada com tanta saudade de mim. O jeito foi voltar pra esse quartinho dos fundos da casa e desembrulhar caixote por caixote e trazer as coisas pros seus devidos lugares. Ah, agora sim: samba nos quadris e muita coisa pra desentocar. Que eu consiga me misturar em outro, mas sem me perder de vista. Como estou numa intensa lua-de-mel comigo mesma, permito-me massagear meu ego até quando achar de bom tamanho. E não me reprimo, por mais egocêntrico que esse texto possa soar.

Por Bellinha em 2:25 AM


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Sexta-feira, Abril 27, 2007


Essa frase já não é mais aqui, é ali. Ali, bem ali. Num intervalo curtíssimo, pulou pro outro banco, antes de querer parar de brincar:
- tem pão doce?
Muda a fotografia. A escova-de-dentes não vai ser mais aquela rosa.
- Garçom, mais uma dose de formalidade que a intimidade eu vou pedir lá de casa, com uma nova companhia.
Os "dias de ser feliz" não são mais meus - já foi nesse mesmo período, só o ano que é novo. Os sentimentos em outra pele. O olhar em outro olhar. Mas tem tanta coisa por aqui que só me cabe estranhar. Como se troca de roupas da forma mais ligeirinha? E como se recebe outro, assim, no lugar que ainda nem deixou de estar vazio? Resta-me acreditar numa plasticidade sem tamanho. Amor descartável: põe no lixo assim que enjoa. Ninguém sabe mais ficar sozinho nessa bodega? Não há tempo de se recompor? E o cinismo, anda em promoção? Putaquepariu, preciso de mais paciência.


Por Bellinha em 6:42 PM


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Terça-feira, Abril 24, 2007


noite enorme. tudo tem seu nome e não. tem seu nome meio desfocado, meio torto, meio no lugar errado. o amor vem e dá as caras aonde não quero. - saia fora ou fique de vez, se aconchegue ou suma daqui. se sou pouco, não devia você continuar a passar por minha terra, deixando esses vestígios. o que quer, se eu não sou quem você procura? tire essas mãos da minha cintura e esse sorriso que me queima e me tira o orgulho. vá, vá. e só me volte quando a minha saudade de novo apertar.

"meu catavento tem dentro o que há de fora do teu girassol"

Por Bellinha em 2:16 AM


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Sexta-feira, Abril 20, 2007


É todo um universo. É cor de caqui. É o gosto de morango - trava na boca, mas é doce.

Bagunça todos os sentidos e faz tudo parecer ter mais sentido.

Não é a censura do quase. É o total. É o ápice do anseio (e da sintonia também). É o choque entre os intensos. É a nuance mais bonita desse cotidiano confuso. É o cais pro corpo desgastado, o abrigo quente no meio do temporal.

É o desespero sereno da poesia de Cecília. O charme de Leminski. A complexidade apaixonante de Clarice. É o cheiro bom de café quente.

É a pimenta e o azeite no jantar. O jazz em noite chuvosa. A brusqueta com vinho tinto e o parmesão no talharim.

(Escrito em março do ano passado)


Por Bellinha em 7:19 PM


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Terça-feira, Abril 17, 2007


Enfim, é chegada a hora de voltar a escrever com freqüência aqui. Depois de mais de um ano de posts rápidos e vagos. A explicação (da volta) é que não dá pra abandonar de vez. São quatros anos de existência desse blog e ao reler os arquivos é que vejo as inúmeras fases que passei, as dúvidas, as descobertas e as coisas que não mudam nunca. Tudo registrado. Em algumas épocas mais, noutras bem menos: as revoltas contra as mazelas do mundo, as paixões avassaladoras e passageiras, o primeiro emprego, os olhares pra cada coisa corriqueira e banal, as centenas de elaborações, os questionamentos infindáveis, as poesias e as músicas que me fisgaram absurdamente e pareciam dizer em tantos instantes...
Tomara que dessa vez a coisa ande num ritmo bacana!


Por Bellinha em 2:25 PM



Quem pode me explicar o que acontece dentro de mim ?
Eu tenho que responder às minhas próprias perguntas .
E tenho que ser serena para aplacar minha própria demência .
E tenho que ser discreta para me receber em confiança .
E tenho que ser lógica para entender minha própria confusão.
Ser ao mesmo tempo o veneno e o antídoto.

*Extraído do livro "Divã" - Martha Medeiros


Por Bellinha em 3:36 AM


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