
Sexta-feira, Junho 17, 2005
Ontem, no horário da tarde, o meu telefone toca. Fulano, da empresa tal, querendo marcar uma entrevista comigo sobre uma possibilidade de emprego, às 10hs do dia seguinte. Entrei num misto de pânico e felicidade. Seria a minha primeira entrevista profissional. A primeira. Assim como a primeira oportunidade de uma experiência de trabalho pra essa que lhes escreve. E quem disse que eu consegui dormir à noite? Tic-tac-tic-tac. Nada do sono chegar. Meu corpo não relaxava de tanta ansiedade e meus olhos mais arregalados do que nunca. Noite engraçada. Eu mesma ria dessa minha inquietação de gente inexperiente, que mal entrara no universo da maioridade.
A manhã então chegou. 7hs e eu já me encontrava em pé, escolhendo roupa ideal. Pra lá e pra cá pela casa. Provocando risos em todos que viam essa minha aflição.
Chegando ao local, fui logo entrevistada pelos dois sócios da empresa ao mesmo tempo. Perguntas de um, perguntas do outro, explicações sobre a proposta, etc. Foi uma experiência estranha porque eu me sentia vigiada por todos os lados. Meus gestos, minhas posturas, as frases mal articuladas, o nervosismo, a firmeza no olhar... Mas foi tudo muito válido. E eu cada vez mais descubro que o mundo adulto é muito cheio de dores e que uma dose certa de bom humor faz toda a diferença numa situação como esta.
Quanto ao trabalho, nem sei se vai rolar. A carga horária impossibilitaria meu estudo de forma considerável e eu sei que isso não é saudável agora. Aguardo o retorno do lado de lá, e enquanto isso eu vou tentando analisar, colocar tudo na balança e torcer para que o resultado seja o melhor. Afinal, não é todo dia que se tem uma oportunidade de emprego, mas também não é todo dia que se deve abrir mão de uma formação acadêmica de qualidade.
Terça-feira, Junho 14, 2005
Minha paixão pela internet foi à primeira vista. Pelo mundo de possibilidades que ela oferece, por me fazer esquecer um pouco da timidez, por poder conversar e me comunicar com as pessoas através de letras, de palavras escritas, por me deixar mais próxima de outros lugares, de outras culturas, de pessoas que moram longe, etc.
De uns tempos pra cá, muita gente tem dedicado parte do seu tempo na frente do computador. Atualizando seus perfis no orkut, mostrando suas respectivas rotinas através de fotos (que muitas vezes nem existem no papel) aderindo às comunidades que correspondam aos seus interesses, reencontrando antigos colegas e amores nos corredores abstratos; ou seja, têm-se uma verdadeira vida virtual própria. E isso é muito legal, algumas vezes.
Todavia, ultimamente tenho me sentido mais mal do que bem quando acesso o orkut, o Messenger. Sei lá... É como se travasse instantaneamente uma angústia sufocante aqui dentro. Talvez seja algum incômodo inconsciente, um vazio insuportável - um prato cheio para trabalhar com a minha psicanalista. Talvez seja apenas um enjôo.
E aí que eu penso que bom mesmo é sentir o vento no rosto e o calor humano, bom mesmo é uma troca de olhares, é um afago no cabelo, é um banho de mar, é celebrar perto de pessoas queridas o quão é gostoso estar ao lado delas, é receber uma carta escrita à mão e sentir o cheirinho da tinta da caneta. Isso nenhum avanço tecnológico compensa, só banaliza -- para algumas pessoas. Mas eis o nosso destino, né?
Voltando pra questão do enjôo, eu tenho vivido mesmo uma fase de "abuso total". Não que isso venha interessar a alguém, mas é terrível olhar pros lados, olhar pra dentro, olhar pra cima e não encontrar motivos que me estimulem a dar passos entusiasmados. O que conforta é saber que as coisas mudam, nós mudamos e nos reciclamos. E os motivos surgem do nada, e as feridas na alma cicatrizam, e o corpo deixa de implorar por reparos e migalhas dadas por outrem...
¬¬
Onde ir
Vanessa da Mata
Eu não sei o que vi aqui
Eu não sei para onde ir
Eu não sei por que moro ali
Eu não sei por que estou
Eu não sei para onde a gente vai
Andando pelo mundo
Eu não sei para onde o mundo vai
Neste breu vou sem rumo
Só sei que o mundo vai de lá pra cá
Andando por ali
Por acolá
Querendo ver um sol que não chega
Querendo ter alguém que não vem
Cada um sabe dos gostos que tem?
Suas escolhas, suas curas, seus jardins
De que adianta a espera de alguém?
O mundo todo reside, dentro, em mim
Cada um pode com a força que tem
Na leveza e na doçura
De ser feliz
Blogs:
Agrestino
Aline Russo
Andarilho Mecânico
Blogrando...
Compulsão por escrever
Engrenagem
Estranha para os íntimos
Finado
Magro de Natal
Meu mundo e nada mais
Mundo cruel
Pablo Capistrano
Questionar!