
Quinta-feira, Março 24, 2005
Compartilhando
Desde criancinha eu sonhava em acampar. Mas era exigente: queria que fosse num local onde tivesse cachoeiras ao meu redor, muito verde e uma turma muito divertida para ficar ao redor de uma fogueira, em noite de lua cheia, contando causos e se confraternizando. Só que, infelizmente, nunca aparecia uma oportunidade, nem eu ia atrás de uma.
Eis que, depois de muitos anos, ela surgiu. Alguns amigos se organizavam pra passar a semana santa em Bonito (PE) e eu, assim que soube dessa novidade, vi meu antigo sonho sendo resgatado de uma gavetinha que já andava um pouco esquecida. Do jeitinho que eu esperava - acampamento, barracas, fogão portátil, lua cheia, vinho, grupo de amigos, trilha ecológica, verde... e até a tão idealizada cachoeira.
Por causa dessa viagem, eu tive uma semana pra lá de ansiosa. Contava os dias e as horas, fazia listinha para a feira de alimentos, ficava no Messenger até altas horas trocando figurinhas e dicas com os meus "companheiros de aventura". Ah, como fazia tempo que eu não sentia isso! Bom demais, não é?
Então, o dia chegou. E eu não consigo me conter em meio a tanta empolgação. Pode até ser que me surpreenda, mas boa parte já valeu a pena por eu estar tendo essas sensações tão positivas.
Preciso terminar de arrumar a minha mochila, pois viajo de madrugada. Torçam por mim e rezem para que eu tenha coragem de fazer rappel na cachoeira. Depois eu conto como foi. Um ótimo feriado para vocês! Beijo.
Sábado, Março 19, 2005
Dia de sábado com cara de domingo: internet, música calminha, livrinho de leitura leve e relaxante. As coisas estão caminhando, às vezes em passos lentos, às vezes nem tanto. Ando me deliciando mais do que nunca com coisinhas bem simples como um olhar acolhedor seguido de um carinho no rosto, como uma crise de riso que lava a alma, como a sensação da música me envolvendo e provocando em mim reações que variam de acordo com o estilo...
Falando nisso, sabe aquela ansiedade que antecede a uma viagem cheia de boas expectativas? Pois é. Ela tem tido uma atenção quase exclusiva. E seja o que for, está sendo bom sentir esse friozinho na barriga na medida em que o dia vem chegando. Depois eu vou fazer um post só sobre essa tal viagem que me aguarda na semana santa e sobre tudo (ou quase tudo) que eu venho pensando sobre a mesma. rs...
Pra acalmar minha "agitação por antecipação" só mesmo a voz e o violão de Renato Braz, que me encanta e me renova sempre. Não consegui ainda descrever, ainda mais quando o ouço interpretando as composições de Zeca Baleiro. Logo, nada mais justo que tentar compartilhar uma delas, que ficou maravilhosa na voz de Renato:
Bambayuque
(Zeca Baleiro)
Enquanto você na arquibancada eu na geral
Enquanto eu além de tudo você afinal
Enquanto eu rondó você madrigal
Enquanto eu paro e penso você avança o sinal
Enquanto você carta marcada eu canastra real
Enquanto eu lugar-comum você especial
Enquanto eu na cozinha você no quintal
Você dois pra lá
E eu dois pra cá
É a dança da nossa paixão
Enquanto você kamikaze eu general
Enquanto eu Paquetá você Cabo Canaveral
Enquanto eu média luz você carnaval
Enquanto você no Olimpo ai de mim mortal
Enquanto você brisa eu vendaval
Enquanto você Roberto eu Hermeto Paschoal
Enquanto você monumento eu pedra de sal
Enquanto você na folia eu no funeral
Enquanto eu matriz você filial
Enquanto você Branca de Neve eu Lobo Mau
Enquanto eu papai-mamãe você sexo oral
Enquanto eu na canção você no parque industrial
Segunda-feira, Março 14, 2005
Diarinho sobre os últimos três dias.
Apesar de toda a canseira que as sextas-feiras vêm me presenteando, essa teve um saldo pra lá de positivo. Depois de receber uma massagem dos deuses do meu amigo mais carismático e prestativo, cheguei em casa e me atirei debaixo do chuveiro. Tomei um banho demorado e me arrumei como se seguisse um ritual, com direito a uma caprichada maquiagem. Tudo isso porque eu queria olhar no espelho e me achar linda, acreditando que toda mudança para recuperar minha auto-estima deve partir de mim em primeiro lugar.
A noite começou me propondo uns antigos desafios que eu tanto me recusava a aceitar. Hora de provar para mim mesma que meu autocontrole ainda pode/deve ser resgatado. Cumprimentos e sorrisos não foram contidos, porque eu não consigo ser atriz e nem quero, mas fui mais forte do que vários desejos que há muito tempo me atormentavam. Nessa hora, lembrei de quantas vezes me senti uma fracassada por não dominá-los (os desejos) em outros momentos. Sim, eu precisava começar a agir. Dei um passo que me foi importante. Mas ainda há muitos outros para serem dados. Eu vou conseguir passar a página. Cansei de carregar essa ferida causada pelo descaso alheio. Quero é leveza.
E fui atrás dela - da tal da leveza -, no barzinho com decoração rústica mais agradável que eu conheço.
A vibração de reencontrar gente querida dispensa comentários. E a prova disso é que, na hora de pedir a conta, ninguém quis ir pra casa. Partimos para a Maxim Disco, numa "pequena" turma de doze pessoas (rs)...
E a noite valeu cada minutinho. A música eletrônica nos tomou a atenção e dançamos a madruga inteira, de forma cúmplice e indescritivelmente divertida. Não economizei energia.
O sábado foi atípico, sai pra comer massa com meus pais. Apesar do cansaço, foi muito bom desfrutar da companhia deles. Passeamos pela orla da praia e voltamos pra casa com a barriga cheia e rindo muito. Meu pai disse que os anos passam e eu continuo o mesmo grilo falante e anãozinho zangado que ele me apelidou, ainda nos meus primeiros meses de vida.
Já que comecei a falar do final de semana, também vou falar do meu domingo, que foi doce e tranqüilo. Sem exageros, eu posso dizer que a irrecusável proposta de tomar milkshake de ovomaltine foi a principal culpada por esse dia ter valido tanto a pena. E que venham mais porque, como diz uma amiga minha, está aberta a temporada de caquis (piadinha interna).
Quarta-feira, Março 09, 2005
O dia de hoje seria bem rotineiro, se não fosse pelo detalhe que havia combinado de almoçar com a minha amiga-que-parece-uma-barbie. E lá fui eu, cheia de saudades para matar. Os assuntos eram tantos, que demoramos tempos e mais tempos para terminamos de comer. Lulu e suas novas histórias, eu e meus anseios (mas pouco, porque havia coisas muito melhores para serem faladas). Recebi conselhos, com muito olho-no-olho e palavras firmes.
- Amiga, quando eu te conheci você não era assim, não... Era mais você, mais alegre, mais confiante em si mesma. Isso tudo abalou muito a sua vida, a gente, que está de fora, logo nota...
- ...
- Você precisa reagir. Fazer alguma coisa por si própria!
Eu tive vontade de chorar. Senti saudades de quando eu tinha minhas crises de riso, de quando eu não tinha medo das pessoas que se aproximavam de mim e não desconfiava até da minha própria sombra. Mas respirei fundo e sugeri um sorvetão como sobremesa. É. Vai passar, sim... não tá com a peste!
E o papo foi dos melhores - quando eu me junto com certas amigas, nada-nada-nada fica de fora. As risadas foram incessantes quando se concordou com uma tal teoria sobre o universo masculino. Porque quando se trata desse assunto, a gente não espera mais nada. Todas concordam: é, só com a gente mesmo pra acontecer tanta marmota. Rs...
Fomos embora com a barriga entupida de besteiras. E feliz por termos descoberto o melhor chocolate quente da face da terra.
Terça-feira, Março 08, 2005
Dom quixote
(Engenheiros do Hawaii)
muito prazer, meu nome é otário
vindo de outros tempos mas sempre no horário
peixe fora d'água, borboletas no aquário
muito prazer, meu nome é otário
na ponta dos cascos e fora do páreo
puro-sangue puxando carroça
um prazer cada vez mais raro
aerodinâmica num tanque de guerra
vaidades que a terra um dia há de comer
ás de espadas fora do baralho
grandes negócios, pequeno empresário
muito prazer me chamam de otário
por amor às causas perdidas
tudo bem... até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento
tudo bem... seja o que for
seja por amor às causas perdidas
por amor às causas perdidas
tudo bem... até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento
muito prazer... ao seu dispor
se for por amor às causas perdidas
por amor às causas perdidas
* * *
Minha auto-estima nunca esteve tão baixa. Os sintomas são muitos: sensação de fracasso, insegurança, extrema carência, medo, necessidade exagerada de atenção dos amigos, complexo de inferioridade e abandono. Desaprendi a gostar de mim, a me achar linda e sensual, a me achar capaz e envolvente. E eu sei que isso tudo tem a ver com trauma, ainda que eu não goste de dizer. Passei a me sentir uma pata, com nariz de palhaço e muito da "sem graça".
Mas eu não quero me acomodar. Preciso me redescobrir e me reconquistar. Deixar essa menininha frágil um pouquinho de lado e voltar a ser aquela mulher que sempre atraiu tanta coisa boa. Voltar a deixar tudo fluir...
Dona bruxa, por favor, dá pra devolver a minha segurança?
* * *
E esse post não é para despertar a piedade alheia sobre o meu estado atual. Escrevo movida pelo desejo de trabalhar melhor essas questões, enquanto brinco de escolher palavras que melhor traduzam minhas sensações mais atuais. Escrever é terapia, quando se faz livre de pressões. E isso já me proporcionou pertinentes descobertas...
Domingo, Março 06, 2005
Mais do mesmo.
Eu sou uma utópica. Sonho com um mundo que os outros dizem que não existe. Dizem também que eu não acordei pra realidade, que vivo querendo ir atrás do que me dá prazer e me esqueço que estou numa sociedade mesquinha, onde só sobrevivem aqueles que são mais espertos, que têm mais status, que são mais capazes.
Minha mãe me disse uma vez: "É, querida, o tal do 'mundo cruel' e temos que nos render a ele para vivermos sem tantas frustrações". Está bem! Eu posso estar sendo um poço de imaturidade e idiotice, mas eu não consigo entender e aceitar isso. Se tornar-se adulto é se entregar a isso, bem-aventuradas são as crianças, que concebem o mundo da maneira que melhor lhes convir, sem amarras.
Às vezes, eu penso que, quando tiver meus filhos, vou querer lhes dar conforto e um ambiente que permita muitas oportunidades para a realização pessoal deles. E, para isso, provavelmente vou ter que lutar muito para garantir o ganha pão da minha família. Talvez, eu nem tenha filhos, mas meus pais precisem de mim. Ou seja, de uma forma ou de outra, eu vou ter que acabar "colocando os meus pés no chão". Infelizmente, quando se trata de uma alma romântica, idealista e boba como a minha.
Eis a minha crise existencial. Aos dezoito anos. Recém chegada no mundo universitário, prestes a entrar no mundo profissional e me sentindo um peixe fora d¿água.
Desejo não deixar de acreditar nas coisas que eu julgo essenciais - no riso, nas pessoas, na música, nas artes, na bondade, na leveza, na alma, no amor. Desejo que eu endureça diante dos conflitos, mas que eu não perca a ternura, como já dizia Che Guevara. E que minha sensibilidade não se dilua no meio de tanto caos e desafeto presente nessa "realidade" que é tão imposta, podendo sempre me deixar conquistar, reconquistar e ter sempre um pouquinho da fé que o mundo de livre imaginação das crianças possibilita as mesmas.
Por temer não conseguir ser sempre tão forte, quero, pelo menos, poder dormir embalada pela sedução da lua e dos olhares infantis.
* * *
Eu era um lobisomem juvenil
(Legião Urbana)
Luz e sentido e palavra, palavra é
O que o coração não pensa
Ontem faltou água, anteontem faltou luz
Teve torcida gritando quando a luz voltou
Não falo como você fala, mas vejo bem o que você me diz
Se o mundo é mesmo parecido com que vejo
Prefiro acreditar no mundo do meu jeito
E você estava esperando voar
Mas como chegar até às nuvens com os pés no chão?
O que sinto muitas vezes faz sentido
E outras vezes não descubro o motivo
Que me explica porque é que não consigo
Ver sentido no que sinto, o que procuro
O que desejo é o que faz parte do meu mundo
O arco-íris tem sete cores, e fui juiz supremo
Vai, vem embora e volta, todos têm, todos têm suas próprias razões
Qual foi a semente que você plantou?
Tudo acontece ao mesmo tempo, nem eu mesmo sei direito
O que está acontecendo, e daí de hoje em diante
Todo dia vai ser o dia mais importante
Se você quiser alguém pra ser só seu
É só não se esquecer, estarei aqui
Não digo nada, espero o vendaval passar
Por enquanto eu não sei o que você me falou
Me fez rir e pensar porque estou tão preocupado
Por estar tão preocupado assim
Mesmo se eu cantasse todas as canções
Todas as canções, todas as canções
Todas as canções do mundo, sou bicho do mato mas...
Se você quiser alguém pra ser só seu
É só não se esquecer, estarei aqui
Ou então não terás jamais a chave do meu coração
Sexta-feira, Março 04, 2005
Estou me adaptando à nova fase. Faculdade no período noturno. Mais responsabilidades e deveres. Novos projetos. E muitos, muitos sonhos. Se você me perguntar uma coisa ruim de tudo isso, eu diria: solidão.
É. Enfrentar "desconhecidos" é algo que eu ainda tenho muito medo. Fico querendo mil mãos segurando na minha, com força. Fico querendo mimo e muitas risadas para aliviar a tensão de tantas angustias e incertezas. Mas também é o momento que eu menos sei pedir isso pra alguém, que eu mais me isolo, que eu mais me calo. E eu sofro três vezes mais que o normal quando eu sinto que alguém, que se tornou essencial para mim, está distante.
Então, eu vejo que criar laços é uma coisa muito linda, mas muito forte também. A gente nunca sabe a hora que o outro vai querer ir embora, se vai avisar, se não vai, ou se é só "por uns tempos" e logo retornará, ou se irá se demorar. E já morremos de saudade ao pensar em cada possibilidade.
Defeito ou não, eu ainda não descobri, mas eu me apego, acredito e me entrego até o último fio de cabelo - sim, eu sou extremista e intensa. Só que, infelizmente, eu ainda não aprendi a lidar com essa minha característica. Não sei ser assim, sem me tornar muito vulnerável. Não sei ser assim e ao mesmo tempo me autoproteger. Existe receita?
* * *
Mudando (um pouco) de assunto...
No msn, eu e a amiga-morango conversávamos sobre aquela velha história de não conseguir ser dura quando é preciso ser, de esquecer, de deixar - de verdade - para trás aquilo que "já deu no que tinha que dar", que já não há mais motivos para ser alimentado, que só se tornou dor...
Ela: Você é muito mais forte que tudo isso aí.
Eu: ...
Ela: Lembra do Quintana, amiga.
Ela: Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão... Eu passarinho.
...
Desabafo
Por que é tão difícil? Um ano se passou e eu ainda não consegui deixar de remoer, de sentir, de me perguntar o motivo de tudo ter tomado esse triste caminho, de achar que eu fiz - e continuo - fazendo papel de tola numa história que, hoje em dia, só existe pra mim. É duro, mas eu preciso deixar de me enganar. Preciso deixar de achar que foi apenas uma demorada tempestade e que depois tudo vai voltar a ser como antes. Não vai. E só eu não consigo ver isso.
Por que eu ainda não consegui ter coragem de pôr o meu ponto final nessa história?
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