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Sexta-feira, Janeiro 28, 2005


Fragmentos confusos de um dia normal numa agenda qualquer.

Páginas e mais páginas em branco. Desaprendi a ter ousadia ao escrever. Travo. Palavras apostam lugar em minha mente estúpida e isso me dói.
Preciso, com urgência, libertar-me de certas amarras que me impedem de voar com as asas que eu sinto que estão escondidas em algum lugar dentro de mim.
Não há porque ter medo dessa vida cheia de prazeres e, ao mesmo tempo, medíocre, egoísta, duvidosa, efêmera...
Há uma criança por aqui que se conserva sempre tão ingênua e sonhadora. É por causa dela que eu tenho esse jeito desconsertado de menina moleca, com sensualidade infantil quase escondida. Sem saber onde pôr as mãos, as pernas e os desejos.
Preciso escrever sem parar para pensar. Senão me censuro, me vigio, me tropeço e me escondo.
E só o amor salva. Isso vem como verdade enquanto minha alma ainda segue em busca de motivos.


Por Bellinha em 8:09 PM


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Quarta-feira, Janeiro 05, 2005


No dia seguinte o princepezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.

- O que é um rito? Perguntou o princepezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. (...)

(Fragmento de "O pequeno príncipe", Saint-Exupéry, p. 69)



Por Bellinha em 10:06 AM


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