
Segunda-feira, Agosto 30, 2004
Falando de amor com Chico Buarque...
"Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz". (Beatriz)
"Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta
Morta de cansaço". (Tatuagem)
"O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai". (O meu amor)
"Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização". (Futuros amantes)
"Prometo te querer
Até o amor cair
Doente
Doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente". (Todo o Sentimento)
"E a prudência dos sábios
Nem ousou conter nos lábios
O sorriso e a paixão". (Rosa-dos-ventos)
"Ontem vi tudo acabado
Meu céu desastrado
Medo, solidão, ciúme
Hoje eu contei as estrelas
E a vida parece um filme". (Sentimental)
"Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim". (João e Maria)
"Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir". (Eu te amo)
"O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que, no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato
Eu teimo em colecionar". (Retrato em branco e preto)
"E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mais nem porque
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você". (Olhos nos olhos)
"Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão". (A Rita)
"Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu". (Metade de mim)
"Nossas palavras
Que se cruzavam
Já não parecem mais casais
Hoje andam tortas
Feito uma jura
Que quer voltar atrás". (Tantas palavras)
"No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá". (Roda viva)
"Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água". (Gota d'água)
Sábado, Agosto 21, 2004
Deixe-me contar um segredo: o céu volta a se encher de estrelinhas amarelinhas e brilhantes. Ao escurecer, a menina, que canta baixinho quando tem medo, retoma o seu hábito de deitar-se na varanda, com a cabeça encostada nas almofadas vermelhas, nas noites serenas e solitárias. O vento frio bagunça os seus cabelos, porém não lhe causa frio. Talvez seja por causa do calor que lhe conforta o peito e faz com que se sinta protegida dos seus próprios anseios. A Bossa Nova, que toca no rádio, faz companhia para a moça do olhar tímido. Ela sorri, com descontração, quando escuta aquele barulhinho de ondas quebrando no mar em tão perfeita sincronia. O barulhinho passa pelos ouvidos e toca-lhe a alma, como se fosse lhe dar um beijo com gosto de chocolate quente com canela. Essa sensação já invadiu seu corpo milhares de vezes e, no entanto, ela sempre acha que é a primeira vez...
Blogs:
Agrestino
Aline Russo
Andarilho Mecânico
Blogrando...
Compulsão por escrever
Engrenagem
Estranha para os íntimos
Finado
Magro de Natal
Meu mundo e nada mais
Mundo cruel
Pablo Capistrano
Questionar!