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Terça-feira, Junho 29, 2004


Sobre o final de semana

É até um método temporário que tem, no máximo, horas de eficácia, mas chorar (assim como rir) é uma ótima forma de extravasar aquilo que está escondidinho lá num cantinho da gente. Meu fim-de-semana começou com lágrimas - muitas delas. Foi quando eu coloquei a mão no coração pra senti-lo batendo aqui dentro e comecei a refletir que independente do que estava acontecendo comigo, ele continuava lá, sendo a prova de que eu tenho uma vida pra cuidar, pra aproveitar. E o que eu estou fazendo com ela? Onde está aquela minha vontade de viver tudo intensamente? Essas perguntas ficaram vagando na minha cabeça por um bom tempo. Depois tomei uma água, recebi um abraço bem forte e senti meu corpo um pouco mais leve. Tinha prometido pra mim mesma que esses dias que eu passaria isolada do mundo real, tentaria recuperar um pouco da minha auto-estima - e não descumpri. Várias coisas e momentos contribuíram para isso, sem contar com o fato que eu estava bem mais aberta. Ainda teve rodinha de violão e muita música. Teve aquele riso que lava a alma. Teve mimo, colo, massagem, emoção, muita conversa. Teve muito silêncio e vontade de ver um mundo melhor. Tudo isso me renovou. Voltei para casa com a sensação de que uma nova fase da minha vida iria começar. E cá pra nós, estou adorando descobrir melhor certas pessoas...

"São as pequenas coisas que valem mais
É tão bom estarmos juntos
E tão simples : um dia perfeito." (Legião Urbana)


Por Bellinha em 8:27 PM


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Quinta-feira, Junho 24, 2004


As coisas que eu escrevo aqui, apesar de serem verdadeiras, nem sempre refletem o que está acontecendo na minha vida no exato momento. Às vezes, transformo cenas vistas há muito tempo atrás em rabiscos. Acho que minha mente precisa viajar em vários tempos, precisa relembrar o passado, analisar o presente e imaginar o futuro.
Entretanto, tenho sentindo uma necessidade enorme de colocar para fora, mesmo que nas entrelinhas, aquilo que eu ainda estou procurando entender. Talvez isso justifique o meu lirismo melancólico desses últimos tempos. Escrevendo, estabeleço um contato comigo mesma que me é extremamente essencial. Peço a ajuda de Clarice Lispector para explicar melhor: "Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando". Dessa forma, eu vou tentando suprir essa minha necessidade sem precisar me expor muito.

Esse ano está sendo bastante difícil para mim, não pela pressão por causa do vestibular - que se aproxima -, mas também pela ausência de várias coisinhas na minha vida. Nunca gostei de sentir-me vazia. Gosto de cores, de dar risadas por bobagens, de ter com quem compartilhar aquilo que é importante para mim. O que me conforta é a consciência de que estou caminhando para frente, dando passos importantíssimos para recuperar minha segurança. Parece-me que a sensação de estar andando em círculos foi embora. Bom saber e sentir que tudo está começando a ficar mais claro por aqui.


Por Bellinha em 5:07 PM


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Terça-feira, Junho 15, 2004


De tarde eu quero descansar, chegar até a praia
Ver se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora


A praia vazia, no final da tarde, trouxe de volta o contato que eu estava precisando ter comigo mesma. O vento bate forte no rosto e eu consigo sentir, por instantes, como estão as coisas aqui dentro.

Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?


Serenamente, eu sinto o vazio que você deixou na minha vida ao ir embora. Talvez isso seja o que te mantém tão vivo dentro de mim. Não era hora de pensar no passado. O presente está cheio de coisas perdidas. Está cheio de mágoa e de solidão. Nem mesmo sei o que fazer com tantos planos feitos em outrora. Queria poder jogá-los ao mar, já que só me tem feito sofrer.

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo
Quando vejo o mar
Existe algo que diz:
- A vida continua e se entregar é uma bobagem


Entreguei-me por inteiro confiando na idéia de que tudo era muito forte para se acabar. Parece que nos arriscamos e entramos no atalho errado do rio. Quando isso acontece, estamos sujeitos a desaguar num abismo qualquer. E abismos causam mortes. Abismos causam o fim de um ciclo. Tudo foi tão rápido, que nem tinha como voltarmos atrás. Caímos de uma altura muito grande. Você foi forte, subiu pelas pedras e agora nada em outro rio. Enquanto eu estou cuidando das feridas que a queda deixou em mim e procurando forças para me agarrar em uma pedra, resistir à correnteza e conseguir pisar meus pés em terra firme.

Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem?


Parece até que você foi embora com todas as cores da minha vida. Sei que isso não é verdade. É essa constatação que me deixa mais confiante para ir atrás delas - das cores e de tudo que eu necessito.

- Ei, olha só o que eu achei: cavalos-marinhos
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora


Sem mais palavras. O silêncio pede a minha atenção.


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Ps: Os trechos em negrito são da música "Vento no litoral", de Legião Urbana.

Ps.2: Os dias foram corridos por aqui. Desculpem a ausência no blog. Agora já estou de volta. Beijos

Por Bellinha em 5:39 PM


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