
Domingo, Maio 16, 2004
A areia está molhadinha, senti com os meus próprios pés. Não sei como a água do mar não se cansa de fabricar essas espumas branquinhas. Não ouso perguntar aos adultos; eles falam que eu sou pequenino demais para entender sobre a ciência. Será que ela seria capaz de explicar sobre essa brincadeira que as ondas insistem em fazer, molhando os meus pés e depois indo embora? Ah, por falar nisso, a onda que acabou de ir embora deixou uns presentinhos para nós dois. Bem que eu gostaria de saber para que servem. Eles tocam uma música tão macia e calma quando os levo para perto dos meus ouvidos - faz até cócegas.
Vamos, Segredo, mostrar para mamãe o que eu acabei de descobrir! Mas não conte para ela que eles fazem a gente rir até a barriga doer, tá? Quero fazer uma surpresa.

Sexta-feira, Maio 14, 2004
Ultimamente ando tão enjoada de notar que as pessoas estão cada vez mais incapazes de perceber a beleza subjetiva das coisas, que falta autenticidade, maturidade e sensibilidade para darem importância àquilo que é pertinente. E eu já escuto freqüentemente dizerem que fazer trabalhos voluntários em prol da melhoria da situação precária do nosso país é brega - ou então está na moda entre a elite, levando em consideração o famoso "marketing". Parece que o egocentrismo, a ganância e o egoísmo mandaram a conscientização para o espaço.
No carnaval deste ano, fui para uma espécie de encontro ecumênico - 13° encontro para a nova consciência - em Campina Grande-PB. Todas as palestras, tanto as políticas como as religiosas, tinham como objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância da solidariedade, do respeito ao próximo e das pequenas atitudes que podem ser tomadas sem muito sacrifício para melhorar situação "x". Até hoje, quando comento sobre o encontro, as pessoas me lançam aquele olhar atravessado, como se perguntassem: "como você teve coragem de abrir mão da farra e dos amores de carnaval para ir para um programa de índio desses?". Fato que só prova o que mencionei no parágrafo acima. Quando se fala sobre a responsabilidade de zelar pelo mundo em vivemos, simplesmente tapam os ouvidos e lavam suas mãos. Porém, sabem gritar bem alto que toda a culpa é do governo. Ah, tanta hipocrisia me cansa.
E nessas horas eu me lembro de Engenheiros do Hawaii:
"Os muros da cidade falavam alto demais
coisas que ela não podia mudar nem suportar
ela quis voltar para casa
cansou da violência que ninguém via
viu milhões de fotografias e achou todas iguais..."
Terça-feira, Maio 11, 2004
A menina está com um olhar vago. Seus olhos procuram a luz que possa ser porto seguro de sua alma inquieta e cheia de ânsia. Ela ainda deseja o mesmo calor e abrigo de outrora e às vezes até pensa em seguir as estrelas, achando que, talvez assim, reencontre-se com aquilo que tanto deseja. No entanto, sente-se limitada pela sua insegurança e acaba desistindo quando, racionalmente, acha que o melhor é se resguardar e evitar dores maiores. Quanta contradição para uma criança que têm olhos de poeta e sente seus olhos lacrimejarem quando as ondas fazem espumas branquinhas no mar! E ela chora sempre que tenta não dar ouvidos ao que o coração pede...
Sexta-feira, Maio 07, 2004
Não é fácil (Marisa Monte)
Não é fácil
Não pensar em você
Não é fácil
É estranho
Não te contar meus planos
Não te encontrar
Todo dia de manhã
Enquanto eu
tomo meu café amargo
É ainda boto fé
De um dia
te ter ao meu lado
Na verdade
eu preciso aprender
Não é fácil, não é fácil
Onde você anda
Onde está você
Toda vez que saio
Me preparo
Pra talvez te ver
Na verdade
eu preciso esquecer
Não é fácil, não é fácil
Todo dia de manhã
Enquanto eu tomo
meu café amargo
Eu ainda boto fé
De um dia
ter você ao meu lado
O que eu faço
O que posso fazer?
Não é fácil, Não é fácil
Se você quisesse
ia ser tão legal
Acho que eu seria
mais feliz
Do que qualquer mortal
Na verdade
não consigo esquecer
Não é fácil
É estranho
Terça-feira, Maio 04, 2004
Quem me conhece sabe que eu amo escrever e o carinho que sinto por cada palavrinha escrita. E eu também tenho ciúmes dos meus escritos, sim. Porque é como se cada letrinha fosse um pedacinho meu, já que ali eu deposito os meus sentimentos e extravaso as minhas emoções.
Ontem me deparei com algo que me deixou imensamente triste: plagiaram meus textos. Achei uma tremenda falta de respeito e deixei um recado para a tal pessoa, falando do meu desconforto -- seria menos pior se a mesma tivesse me dado os créditos ou pelo menos me avisado. Como se não bastasse, ela ainda apagou meus comentários e deixou o meu texto lá, brilhando no blog dela como se fosse de sua autoria.
É ridículo como têm pessoas pobres de caráter no mundo. Podem até achar que eu estou fazendo tempestade num copo d'água. Mas quem dá a mesma importância que eu às palavras certamente entenderá o meu mal estar.
Depois disso, estou pensando seriamente se devo ou não continuar expondo meus textos nesse veículo de comunicação...
Domingo, Maio 02, 2004
"Só por sentir que um sorriso pode me fazer sorrir
Só pra lembrar, não esqueci seus olhos nunca mais
Só pra dizer que o meu mundo se parece com você..." (Capitão Zero)
.:. Depois de muito tempo, voltei a sentir emoções intensas e gostosas. E foram simples detalhes que me proporcionaram isto. A melodia das músicas me tocando, a mão materna acariciando o meu rosto - o meu refúgio mais certo -, o contato com ambientes que me trazem boas lembranças, doce de goiaba com creme de leite e o alivio por saber que uma pessoa querida não corre mais risco de vida. Sinto um prazer incomensurável quando vejo certas coisinhas ganhando cores novamente, ainda mais quando lembro que recentemente, vivi momentos não muito agradáveis.
Não é fácil tentar esquecer aquilo que um dia já nos fez tão bem. Ainda assim, eu não me arrependo de ter vivido tudo até a última gota. Mas a razão dita as regras por aqui dentro e eu acho que estou no caminho mais viável. E tenho que confessar que o acaso tem me dado aquela força.
Blogs:
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