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Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004


"A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir" (Legião urbana)


Esse ano eu abri mão da agitação, da caipirinha, do axé, do samba, do frevo, do suor, dos amores de carnaval e do cansaço nos pés e fui para o "13º Encontro para a nova consciência: o pensamento da cultura emergente" em Campina Grande - PB. Milhares de palestras, mais de quarenta grupos (culturais, filosóficos, religiosos, espirituais), caminhadas macro-ecumênicas, apresentações culturais, exposição de fotografia, feirinhas, workshops... todos centrados num só objetivo: melhorar a situação atual do mundo, estimular a paz, o respeito, a solidariedade entre as pessoas e a preservação do meio em que vivemos.
Foi um evento grande, a nível nacional e que me acrescentou muito. Não pude acompanhar todas as programações, mas deu pra conhecer algumas tradições, ir para alguns debates sobre movimentos sociais, assistir palestras excelentes, receber uma massagem anti-stress divina, comprar uma saia indiana que eu achei linda, admirar uma batucada dos Hare Krishnas. Queria muito ter ido para a palestra sobre o Xamanismo, que sempre me despertou um certo interesse, mas acabei perdendo. Em compensação, assisti uma palestra que me deixou suspirando de tanta empolgação: Ciência, ética e ordem moral -- com o professor Sanchez, Phd em ciências da educação, espanha -- tema perfeito que fez um debate pegar fogo, identificação instantânea com o que o palestrante dizia e fazia parte da programação dos Ateus e Agnósticos. Gostei mesmo.
Ainda assisti umas palestras bem malucas sobre um tal de Sai Baba, que faz milagres na Índia. Até que foi divertida, depois de tanta alienação sem nexo do devoto lá de Sai Baba (que serviu até para o pessoal fazer palhaçada lá no hotel). Saímos na metade (eu e mais dois amigos) e fomos assistir a palestra dos Sufistas (Islamismo), que foi bem interessante, acho que me fez repensar sobre algumas idéias que eu tinha sobre essa tradição.

Em geral, foi uma experiência nova pra mim. Principalmente pelo tipo de evento, que eu morria de curiosidade mas nunca tinha surgido a oportunidade. É incrível como o nosso país tem uma cultura rica e que ainda existem pessoas conscientes e preocupadas com a melhoria do mundo. Acho que o importante é ir a luta e fazer a nossa parte.
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Ainda sobre o carnaval: voltei um dia antes, só para ir correndo para a praia de cotovelo, dar um abraço gigante na minha família paterna e trocar confidências importantíssimas com a minha prima preferida, confidências as quais ela nem se surpreendeu. Bom quando alguém entende exatamente o que você quer dizer, no mesmo sentido e na mesma intensidade.


Por Bellinha em 2:40 PM


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Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004


"Eu quero o sol ao despertar
Brincando com a brisa
Por entre as plantas da varanda em nossa casa
Eu quero amar
É lógico que o mundo não me odeia
Hoje eu sou mais romântico que a lua cheia
Você mostrou pra mim
Onde encontrar, assim
Mais de um milhão
De motivos pra sonhar, enfim
E é tão gostoso ter os pés no chão
E ver que o melhor da vida vai começar..."
(Guilherme Arantes, O melhor vai começar)


Alguns dos momentos mais mágicos e satisfatórios da minha vida aconteceram do final do ano passado pra cá. Momentos que vêm preenchendo um vazio enorme que muitas vezes já me incomodou bastante. Parecem com raios de luz, que invadem o meu corpo e me aquecem de um frio que eu nunca soube descrever muito bem. E nessas horas eu consigo sentir quem realmente sou, o que eu valorizo e o que me deixa extasiada. "Ilumina a ti mesmo" -- nunca pensei que fosse tão gostoso ver o brilho que vem de dentro, que começa a despertar a partir de quando começamos a nos encontrar e a descobrir quão longo e fascinante é o nosso caminho, mesmo com todas as suas coisinhas que sufocam e decepcionam.
Eu nunca pensei que conseguiria me esquecer, por alguns instantes, do tempo -- passado, presente e futuro. E eu esqueci, quando estava me deliciando com poesias que dizem além do que está escrito, com músicas inocentes e otimistas de Guilherme Arantes e com a companhia de alguém que entende perfeitamente a importância que todas essas coisas têm para mim.

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E ontem eu fui comer pizza. Pizza de chocolate, que eu passei a semana desejando. E eu me senti bem disposta depois de doses cavalares de risadas e conversas bestas. Também, depois de aula até às 19hs, tudo que eu precisava era rir, rir até de mim mesma, rir de olhares ironicos, rir de fatos sendo relembrados e revelados.


Por Bellinha em 7:41 PM


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Terça-feira, Fevereiro 17, 2004


"Um belo dia resolvi mudar..."

De tarde, resolvi mudar o layout do blog, o título e colocar cores fortes para decorá-lo.
Não sei se alguém chegou a ver, mas o blog estava fechado. Essa última semana foi bem complicada pra mim, aconteceram umas coisinhas que me estressaram muito e tiraram o restinho de paz de espírito que ainda me restava. Senti vontade de parar de vez de me expor, de ficar um tempinho longe desse universo virtual e bem no ápice do meu nervosismo acabei tirando o blog do ar.
Já estou bem mais tranqüila, tanto que quis dar uma mudada nisso aqui. E antes que me perguntem o motivo que me levou a mudar o título:

1) Não era nada contra o título antigo (Todo o sentimento), nem enjoei dele. Para quem não sabe, é o nome de uma das minhas canções preferidas, daquelas canções que nos acompanham pelo resto da vida, não só por causa da letra, mas também pelo encanto que carrega. Só que eu já vinha notando que o título tinha pouca coerência com o que eu andava escrevendo.

2) Interlúdio no dicionário: 1. Trecho que se intercala entre as diversas partes de uma composição musical. 2. Intervalo.


3) Intervalo.

4)"Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir..." (Clarice Lispector)

5) O motivo que me fez escolher esse título fica, então, subentendido.

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Nada melhor que uma mudança positiva. Mesmo que seja pequenina como esta, tem o poder de levantar o nosso astral.

Por Bellinha em 11:39 PM


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Terça-feira, Fevereiro 10, 2004


"Vai ver que não é nada disso
Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui o mesmo" (Legião urbana, Angra dos reis)


Não tenho encontrado inspiração para fazer textos criativos e divertidos de se ler, então, resolvi escrever o que vier na minha cabeça, sem me preocupar com a organização, nem com nada. Só sei que preciso escrever. Escrever é o meu refúgio, é o meio mais eficaz de conseguir me auto-analisar.
Todo ano é um ano diferente, nenhum se compara ao ano que veio antes. Todos têm o seu próprio livro, com o seu próprio tema, conflitos e prazeres. Mas há algo de comum entre eles: eu sempre sinto como uma estranha em meio a multidão. E fico triste quando percebo que as pessoas ao meu redor não percebem as mesmas coisas que eu, não enxergam que muitas das coisas desse mundo escondem belezas encantadoras e que alimentam o nosso corpo, preenchendo cada vez mais aquele vazio interior. Eu poderia passar a madrugada inteira aqui falando sobre isso, mas pouquíssimos iriam realmente entender. Só queria dizer que eu resolvi criar a minha "própria lei", como já dizia Renato Russo em uma de suas famosas composições.
Meu corpo está cansado e com medo do que ainda nem aconteceu. E sempre que eu me dou conta disso, fico com vontade de receber um forte abraço e ficar por lá escondidinha, até recuperar minhas forças. E sempre que eu me sinto inquieta, eu sonho com o mar. Sonho com seu azul lavando a minha mente e me deixando serena. Sonho com aquela sensação de estar pensando em nada. Uma das melhores coisas da vida é sentir a mente livre para vagar por onde quiser, por onde desejar.

Ps: Post sem nexo algum.

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Dá-me a tua mão

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

(Palavras de Clarice Lispector, arranjados pelo Padre Antônio Damásio)


Por Bellinha em 10:16 PM


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Sábado, Fevereiro 07, 2004



Sinto que está chegando a hora de mais uma daquelas longas viagens para dentro de mim mesma. Rever acontecimentos, confirmar planos, analisar o meu emocional e o meu dia-a-dia, pensar nas coisinhas que me ferem e eu finjo não perceber. São tipos de coisas que eu não posso deixar acumular.

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As aulas têm exigido muito esforço mental da minha parte: concentração, participação, disposição, tranqüilidade, compreensão do conteúdo dado pelo professor. Tarefa complicada para quem acampava no mundo da lua durante as aulas de matemática... Mas até que eu estou me surpreendendo. Engraçado é que de noite meus neurônios ainda estão em atividade e isso me deixa hiper agitada. As matérias que o professor na 8ª série ensinava em um duas semanas, hoje, no pré-vestibular, ele tenta revisar num dia só. Mas acredito que daqui pro final do mês eu já esteja acostumada com pique.
Sim. Estou bem, e vocês como estão?

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Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é o tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára

(Paciência, Lenine)

Por Bellinha em 12:05 AM


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